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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Amo tanto que dói

Não existe no mundo nada mais piegas do que as frases que procuram explicar o amor de mãe (sem generalizar) pela sua prole, mas équando a gente se transforma no sujeito da oração que descobre que, por mais bregas que sejam, elas dizem a mais pura verdade - não há amor maior no mundo do que o de uma mãe pelo seu filho.
É verdade que nem todas as mães são boas e existem as que não gostam ou não demonstram, nas atitudes, esse amor. Tem as que abandonam física ou emocionalmente, as que não sabem se doar e até as que fazem mal para seus filhos. Mas elas são a exceção da regra. Não é delas que eu quero falar... Aliás, eu falo só por mim, mas, tenho certeza, no meu círculo de amizades, muitas mamães vão se identificar com o que irei escrever.

No momento que nasce um filho, nasce, também, uma mãe. Eu não sei quem é o autor dessa frase, mas eu concordo em gênero e grau. Estar grávida foi um momento mágico na minha vida. Eu me sentia importante e, por que não, diferente das outras (pobres) mortais, pois não existe milagre mais lindo nesse mundo do que gerar uma vida, que, de fato, é metade eu, outra metade aquele que eu amo. Sentir o bebê chutando dentro do meu ventre é uma sensação maravilhosa, porque são aqueles mini-movimentinhos que representam a manifestação, pro mundo exterior, da vida que se forma lá dentro. Enquanto na barriga, ele era somente meu. Mais do que isso, ele é era a minha extensão - estávamos conectados por um cordão que garantia a energia necessária para que se desenvolvesse, mas, mais do que isso, também simbolizava que nós dois éramos apenas um.

Porém, enquanto grávida, a gente é (apenas) uma mulher grávida, e não uma MÃE. A gente sabe que um dia vai amar mais do que tudo no mundo aquela sementinha, e até já pensa que a ama essa tanto todo, mas, no fundo, o nosso coração é muito maior do que aquilo. Quando o bebezinho nasce e seu cordão é cortado, nós nos tornamos eu e ele, mas, mais do que isso, além da individualização daquele serzinho que vê a luz pela primeira vez, nós nos tornamos MÃES. E aí nos pegamos amando aquela coisinha minúscula e chorona mais do que quando ele era uma semente e, então, precocemente, concluímos nesse momento que entendemos o real significado do amor de mãe.

É mais ou menos a partir daí (e essa variação se dá graças ao bombardeamento doido de hormônios que sofremos no pós-parto) que, então, saímos mundo a fora espalhando que não existe no mundo amor maior que o de mãe. E é a mais pura verdade!

Eu acredito que não existe uma hora certa pra gente se perceber amando aquele ser mais do que tudo no mundo. Algumas mães juram que, para elas, bastou vê-los pela primeira vez fora de seus úteros. Comigo, não foi bem assim. Eu não tive depressão pós-parto, mas, claro, fiquei abalada depois que ele nasceu, como todas as mulheres ficam. Não existe quem consiga enxergar o mundo como ele realmente é com toda aquela quantidade de hormônios circulando pelo nosso corpo! Mas eu tenho na memória um dia, quando o Gabriel tinha um mês mais ou menos, que eu estava dirigindo e ele dormia no bebê-conforto no banco e trás. Parada na sinaleira, eu me peguei pensando que gostava demais daquele pacotinho, mas que ainda não daria a minha vida em troca da dele. Admito que me senti culpada ao extremo por ter pensado naquilo, mas, naquele dia, se algo tivesse acontecido com o meu pequeno, eu tinha certeza que, depois de muito sofrimento, eu conseguiria me reestruturar e ser feliz novamente, provavelmente com outros filhos. E foi ao me dar conta daquilo que eu me peguei pensando quando será que eu sentiria o verdadeiro amor de mãe.


Não tardou, posso garantir, para o meu coração transbordar do mais puro amor. Que eu me lembre, desde aquele dia, quando eu me pegava pensando no meu menino, eu tinha certeza que me jogaria de um prédio por ele se fosse preciso. Na verdade, eu mataria por ele ainda que fosse a minha vida que estivesse em risco, porque, pelo menos nos primeiros anos de vida, a mãe é a figura mais importante para um filho.

Hoje, eu amo tanto que dói e não existe nenhum exagero em repetir essa frase. Dói mesmo, por mais contraditório que possa ser. Algumas vezes, eu me pego pensando naquele serzinho, que incomoda pra caramba, que apronta pra burro, que é o responsável por todos os meus cabelos brancos. E o coração aperta em todas essas vezes a ponto da gente pensar que ele até parece estar batendo mais devagar e sentir alguma dificuldade em respirar. Em muitos momentos, as lágrimas escorrem dos nossos olhos sem qualquer motivo aparente. E não precisamos estarmos diante dos seus primeiros passos! O simples ato de pensar naquela criaturinha já nos proporciona uma sensação tão incrível que chegamos a sentir dor e só conseguimos manifestar com choro.

Por isso que hoje eu entendo quando dizem que ser mãe é viver com o coração para fora do corpo, porque, desde que ele nasceu, é quase como se aquele mini-coraçãozinho me fizesse respirar. Se ele parar de bater, eu morro. Eu vivo por ele, eu vivo para ele. E eu penso nele ainda quando ele nem se faz presente. Aliás, quando nós não estamos perto deles, aí sim que temos a melhor representação do que é viver com o coração fora do corpo. Os nossos pensamentos são ELE.

Tanto é assim que eu me pego pensando, de vez em quando, o que seria de mim se algo acontecesse com ele. E eu garanto - existiria um único motivo para eu querer continuar vivendo: outro filho. Somente por outro que tivesse saído de dentro de mim (ou que tivesse se tornado meu filho de coração) eu encontraria forças para me recuperar e seguir a vida, porque dentro daquele outro corpinho também bateria o meu coração.

 Ser mãe é vivenciar um milagre que acontece diariamente. Juro, o nosso coração cresce numa progressão geométrica! Eu sou um ser humano melhor, hoje, por causa do meu filho. Ele me ensinou o amor incondicional, aquele que não pede nada em troca, mas que, quando ganha, não cabe em si de tanta felicidade. Eu realmente não preciso de muito para ser feliz - basta enxergar a alegria nos olhos dele ou perceber a sua gratidão por mim.

Eu sou um ser hiper mega ultra sentimental, é verdade. As emoções fazem parte do meu cotidiano e eu não sei pensar ou agir as deixando de lado por um instante. Primeiro eu sou coração; depois, razão. Também, eu  vivo com um homem maravilhoso para mim e acredito que amo o Gui tudo que uma mulher é capaz de amar um homem. Ainda assim, posso garantir, esse tipo de amor não dói, ele não é incondicional e pode não ser eterno. É preciso semeá-lo no dia-a-dia para colher os frutos em seguida. E que belos frutos estamos colhendo!

Homens, a gente ama diferente, ama muito, mas não é pleno. É que, pensando bem, existem várias formas de se amar - o marido, a família, os amigos, os bichinhos, até as coisas, por que não... A gente ama momentos, lembranças, sonhos futuros e passados. Ama-se muito, mas não se ama nada nesse mundo como a um filho.

 O amor da minha vida,  portanto, não chega a medir um metro e meio e morre de medo do escuro e de fantasmas. É que depois que a gente tem um filho a gente se dá conta que não existe homem no mundo que consiga se transformar em amor das nossas vidas, simplesmente porque a gente jamais daria a nossa vida pela a dele depois que é mãe. A gente aprende a se preservar para poupar o nosso filho de sofrer pela gente. É algo sem explicação. Quem criou essa expressão devia ser homem, só pode!!! Porque, na verdade, não existe um único amor da nossa vida, mas sim tantos quantos forem os filhos de uma mãe.

E aqui finalizo, com o coração doendo por pensar no meu menino enquanto escrevo. Para todas as boas mães desse mundo (presentes, passadas ou futuras) eu desejo um FELIZ DIA DAS MÃES!!!


E para as minhas queridas amigas que ainda não foram abençoadas com um filho e que acharam extremamente piegas tudo o que eu escrevi aqui, fiquem sabendo, vocês ainda serão mães!!! Então, podem ter certeza, vocês compreenderão melhor as suas próprias (e as outras) mães, porque, entre tantas lições que retiramos da maternidade, uma delas é, sem dúvida, que a gente começa a valorizar e a gostar mais da nossa mãe.

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